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Centro de Vitória

A história

01:24, 27/6/2007 .. 0 comments .. Link
Escrever a história do Centro de Vitória - com suas igrejas seculares,escadarias imponentes,fortes,ruas,monumentos e edificações - é escrever a própria história da fundação da Ilha de Vitória.Que  é uma história de renúncia,bravura e de muito trabalho.




Como tudo começou...

01:24, 27/6/2007 .. 0 comments .. Link

Em 1550,Vasco Fernandes Coutinho,em busca de defesa e segurança para seus governados,transferiu a sede da Capitania do Espírito Santo de Vila Velha para a Ilha de Santo Antônio.Acreditava que,na ilha,estariam mais protegidos dos ataques dos índios goitacases,que teriam de atravessar a "muralha" de águas que a circundava.O nome,Ilha de Santo Antônio,Vitória recebeu de Duarte de Lemos,que a ganhou de presente,para usufruto,de Vasco Fernandes Coutinho,em 1937,em retribuição a seu auxílio no desbrava mento da Capitania.

Com a povoação,ainda em 1550,a Ilha recebe o nome de Vila da Vitória.Que por fim,a 8 de setembro de 1551,dia de Nossa Senhora da Vitória,é batizada de Vitória,no êxito da guerra dos colonizadores contra os índios que atacaram a ilha.

A transformação da vila inicia-se com a chegada do padre jesuíta Afonso Brás.Ele incita o povoamento da coluna,atual Cidade Alta - primeiro perímetro urbano a ser ocupado na Ilha de Vitória - e,constrói o Colégio de Santiago e a igreja (onde hoje se localiza o Palácio Anchieta).

Ainda no século XVI o Centro de Vitória começa a ter seu desenho arquitetônico construído,de acordo com premente necessidade de defesa.Em 1561 aventureiros iniciam as tentativas de tomada da cidade.O primeiro ataque partiu de franceses que infestavam a costa brasileira.A união de combatentes colonizadores e índios coloca-os em retirada.Em 1592,foi a vez do famoso pirata inglês Thomas Cavendish tentar tomara Vitória de assalto.

Em 1652,Vitória sofreria nova tentativa de invasão - dessa vez são os holandeses comandados por Patrid,que tentam repetir o intento oito anos mais tarde.As duas tentativas resultaram em vitória para a população,que lutou unida.

Os idos do século XVIII encurralam Vitória no ciclo do ouro do Brasil-colônia.É período de medo.O conde de Sabugosa manda o engenheiro Nicolau de Abreu,em 1726,fortificar Vitória.Quatro fortalezas são construídas no Centro da cidade.

O Forte São de João,localizado na curva do Saldanha,reparado em 1702,é ampliado e melhorado.É construído o forte São Diogo,situado ao lado de onde hoje está a escadaria São Diodo,que comunica a praça Costa Pereira com a Cidade Alta.O fortim Nossa Senhora do Monte do Carmo,localizado entre o Cais Grande e o Cais do Santíssimo,edificado ainda no século passado,é também conhecido por São Maurício,na quadra da confluência da rua General Osório com a Nestor Gomes.

Ao longo da baía de Vitória vários cais já haviam sido construídos,para embarque e desembarque de viagens e de mercadorias.O Cais da Coluna ou do Imperados,que ficava fronteiriço à escadaria de acesso ao colégio Jesuíta; o Cais de São Francisco,de uso particular dos padres franciscanos,situado onde atualmente existe o Centro de Saúde.O porto dos Padres,que ficava na parte baixa da ilha,na esquina da atual rua General Osório com a antiga rua do Comércio.O Cais do Santíssimo ou da Imperatriz,localizado nas proximidades da região que hoje é o Teatro Glória e a rua Marcelino Duarte.

Em 17 de março de 1823 é proclamada a independência de Vitória.O primeiro presidente provincial foi o bacharel Inácio Acióli de Vasconcelos.Governou de 24 de fevereiro de 1824 a 23 de novembro de 1829.

 



A urbanização do Centro

01:23, 27/6/2007 .. 1 comments .. Link
 

Abrigada entre a baía e o maciço central da ilha,Vitória era,no princípio,envolvida por braços de mar que formavam mangues.Para crescer foi sendo aterrada no sentido leste - oeste.

Do lado oeste,ficava o mangue do Campinho (Parque Moscoso).Ali,nas proximidades do atual Centro de Saúde,encontrava-se o Cais de São Francisco,utilizado pelos padres do convento São Francisco.A leste,ficava a Prainha (praça Costa Pereira) - assim,chamada porque o mar batia nas rochas do forte São Diogo e no Porto das Lanchas.Posteriormente,com a construção da capela de Nossa Senhora da Conceição,passou a ser conhecida como Largo da Conceição.A capela demolida em 1894 deu lugar ao Hotel Europa.

"Já em 1888,esse espaço da cidade estava totalmente aterrado e recebera a denominação de Largo da Costa Pereira; era o local onde os moradores próximos organizavam as concorridíssimas festas juninas.Entre 1922 e 1924,as modestas casas que formavam os becos General Câmara e São Manoel e a rua do Sacramento foram desapropriadas e a praça ampliada,calçada e ajardinada" - Janes De Biase Martins,Vitória - Trajetórias de Uma Cidade.

O Centro de Vitória passaria por sua maior transformação na década de 1920,com a valorização da lavoura do café.A avenida Capixaba começou a ser construída (onde hoje se localiza o edifício Glória foi crava a estaca zero), sendo necessária a destruição das ruas Cristovão Colombo e Pereira Pinto,dos prolongamentos da rua do Sacramento e dos becos São Manoel e General Câmara.Em 1948 as avenidas Capixaba e Jerônimo Monteiro passaram a ser conhecidas somente como avenida Jerônimo Monteiro.

Segundo Janes De Biase Martins,a avenida Jerônimo Monteiro é hoje a vitrine que mostra as duas grandes rupturas arquitetônicas de Vitória.A primeira ocorrida no início do século XX,quando o estilo eclético procurava negar o passado colonial.E a segunda,a partir da década de 60,quando edifícios de vários andares passaram a ocupar seus quarteirões.

Florentino Avidos elaborou o Plano de Melhoramento da Capital,de 1920 a 1928,visando tornar a cidade mais confortável.As ruas estreitas do Centro foram alargadas,retificadas,drenas e pavimentadas.As linhas de bonde foram duplicadas e estendido o seu trecho de ação.Foram construídas escadarias de acesso à Cidade Alta,além de praças e jardins.A primeira seção do porto for praticamente concluída.Foram edificados os prédios da Escola de Artes Fafi e o Teatro Carlos Gomes,por André Carloni.

O traçado colonial da Cidade Alta foi alterado somente em 1935.Naquele período foi construída a praça da Catedral,o alargamento e a retificação das ruas São Francisco,Franciso Araújo,Moniz Freire,José Marcelino,Ladeira Professor Baltazar e Cerqueira Lima.A rua Dionísio Rosendo foi aberta aproveitando o antigo traçado da rua das Flores.Também foi aberta a rua Pedro Palácios.

Na década de 50 o crescimento de Vitória acelerou.A administração do Porto ergue o armazém IV,foram aterradas a Esplanada Capixaba e os mangues entre o Forte de São João e Bento Ferreira.

 



Religiosidade

01:22, 27/6/2007 .. 0 comments .. Link

Um passeio pelo Centro de Vitória dá uma dimensão da influência da religião em sua história e arquitetura.Influência ditada fortemente pela presença dos padres jesuítas - os primeiros a chegar,dentre as ordens religiosas que participaram da colonização do Espírito Santo.Igrejas edificadas,especialmente na Cidade Alta,são elementos próprios da infância da cidade.

O realce da presença dos jesuítas esta expresso no Colégio Santiago,que se tornou a principal referência arquitetônica da Vila.Aos jesuítas cabia o papel de catequização e controle do cotidiano da população.

Também foi iniciativa dos jesuítas a criação das Confrarias da Caridade (1554) e da Piedade (1556),até hoje ativas.Essas contratarias comumente uniam devotos de um mesmo ofício ou de um mesmo grupo étnico.No século XVI havia em Vitória cerca de dez contratarias e ordens terceiras,ligadas a jesuítas e franciscanos.No século XVIII eram mais de 20 as irmandades.

As irmandades e o credo que professavam eram tão fortes que mesmo após a expulsão dos jesuítas foram construídas a igreja de São do Amparo e da Boa Morte,e a igreja do Rosário,que abriga a devoção de São Benedito e foi construída pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Um passeio no Centro de Vitória transporta transeuntes a histórias devidas que se entrecruzaram,na quase sempre difícil tarefa de construir uma cidade.Parte dessa labuta foi posto abaixo,mas o que ficou encanta.A Cidade Alta marca o princípio,com a Matriz de Nossa Senhora da Vitória,Capela Santa Luzia,Igreja de São Gonçalo,Igreja do Rosário,Capela Nossa Senhora das Neves.Próximo fica a Igreja do Carmo.

No enredo do tempo foram destruídas a Igreja de São Tiago,Igreja de São Francisco,Igreja da Misericórdia,Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Prainha.

 



Praças,ruas e escadarias

01:21, 27/6/2007 .. 0 comments .. Link

Palco de batalhas ferrenhas contra corsários invasores,espaço para peladas de futebol da garotada,de footing de sábados e domingos,praças,ladeiras e ruas antigas curtas e apertadas,espremidas contra os morros - assim é o Centro de Vitória.Cortado,ainda que é,por duas largas avenidas - Jerônimo Monteiro e Princesa Isabel.A Jerônimo Monteiro,avenida de capital importância para o Centro,e a Princesa Isabel,que amparou um pedaço do mar aterrado para dar lugar ao desenvolvimento urbano.

Saint-Hilaire,em sua viagem pelo Espírito Santo,em 1818,descreve assim o Centro de Vitória: "As ruas de Vitória são calçadas,porém,o são mal,têm pouca largura,não oferecendo nenhuma regularidade (...)Não possui,por assim dizer,nenhuma praça pública,posto que aquela existente defronte o palácio é muito pequena e é com muita condescendência que se dá o nome de praça à encruzilhada enlameada,que se prolonga da igreja Nossa Senhora da Conceição até a praia."

A praça Costa Pereira foi primeiro conhecida como Prainha,depois Largo da Conceição,e entre os anos 1922 e 1960,como praça da Independência.Mais de dois terços da sua área eram banhados pelo mar,e o aterro foi sendo feito aos poucos.Dos prédio que ladeavam a Costa Pereira se destacavam o Hotel Império,a Casa Madame Prado,a sede do Clube Álvares Cabral,o Café Avenida,a sorveteria Pingüim, o Teatro Carlos Gomes.

A praça Oito de Setembro foi conhecida primitivamente como Cais Grande,depois Cais da Alfândega,praça Santos Dumont,e só em 1991 por solicitação do governador municipal Cirilo Tovar,praça Oito de Setembro.

Que cidade brasileira possui tantas escadarias como Vitória? Qual possui uma referência tão preciosa,esculpida em detalhes? As do Centro são elos,acessam Cidade Alta e Baixa.Quatro têm grande destaque: Maria Ortiz,São Diogo,Bárbara Lindenberg e Cleto Nunes,antiga ladeira do Egito.

 



Edificações

01:20, 27/6/2007 .. 0 comments .. Link
 

A Fafi foi construída em 1925,para abrigar o Grupo Escolar Gomes Cardim,no governo de Florentino Ávidos,a Fafi,antiga Faculdade de Filosofia de Vitória,é hoje uma Escola de Arte,encampada pela Prefeitura de Vitória.Localizada na cidade baixa,na esquina da Avenida Jerônimo Monteiro com a rua Barão de Itapemirim,tem planta em forma de "V",com pátio central aberto.Sua fachada apresenta uma composição formada por saliências que destacam sete volumes intercalados.

Enquanto sede da Faculdade de Filosofia,Ciências e Letras,pertenceu à Universidade Federal do Espírito Santo,que a entregou ao abandono e deterioração a partir de 1979.Adquirida pela Prefeitura Municipal de Vitória,em 1988,a Fafi voltou a reencontrar parte de sua história cultural,de encontros,bailes,exposições etc.Como acontecia nas décadas passadas.

O Teatro Carlos Gomes,principal teatro de Vitória,foi inaugurado a 5 de janeiro de 1927,com a peça Verde e  

Amarelo,de Patrocínio Filho.Sua edificação foi iniciada em 1925,por André Carloni,que fez a obra quase que completamente com seus próprios recursos - recebeu uma pequena ajuda do governo. Alguns anos depois de inaugurado,foi vendido ao Governo estadual.

O colégio passou a abrigar a sede do governo da capitania no final do século XVIII,período em que houve um incêndio destruindo a biblioteca.Até 1950,foi a construção de maior área em Vitória e funcionava como um completo centro administrativo.O Palácio Anchieta,que ganhou nome em homenagem ao padre José Anchieta,é uma das principais referências arquitetônicas do Centro da cidade.Seu interior guarda o túmulo simbólico de seu patrono.

O Carlos Gomes,que por anos funcionou como cine-teatro,aproveitou em sua construção as colunas de ferro fundido do Teatro Melpômene - o primeiro teatro de Vitória,todo em pinho de Riga,com 1.200 lugares e que também ficava na Costa Pereira -, para suporte de galerias e galpões.

O Museu de Arte Moderna do Espírito Santo,que foi muitos anos do prédio da Secretaria de Administração,foi o primeiro imóvel inaugurado na gestão de Florentino Ávidos com presidente do estado do Espírito Santo.Foi destinado a usos diversos,como Pinacoteca Municipal,entre os anos de 1940 e 1971; sede da Imprensa Oficial do Estado; sede da Secretaria de Estado da Administração e Recursos Humanos; e,finalmente,Museu de Arte Moderna do Espírito Santo.

No início da colonização do Espírito Santo os jesuítas começaram a erguer uma igreja e sua residência provisória na Cidade Alta,imediações onde se localiza hoje o Palácio Anchieta.Junto à edificação do templo,os padres construíram um colégio.

O complexo arquitetônico de igreja e colégio tinha área construída ao redor de grande pátio interno e enorme área envoltória,onde ficava o pomar,o fortim de São Tiago e o porto dos Padres.Após a expulsão dos jesuítas das colônias portuguesas,a igreja e o colégio foram incorporados aos bens da coroa.

 



O Centro - Hoje

01:19, 27/6/2007 .. 0 comments .. Link
 

Cidade presépio.Cidade sol.Muitos apelidos carinhosos ganhou Vitória.E tudo,e todos,principiaram no Centro da cidade.Centro,que deu origem à própria formação da cidade. (É preciso,antes de prosseguir,esclarecer o limite que foi definido neste trabalho:Centro,para fins deste blog,está sendo considerada apenas a região congregada em toda extensão da avenida Jerônimo Monteiro.São ricas demais as histórias do Parque Moscoso e da Vila Rubim.)

Harmonizado nos movimentos rotineiros do dia-a-dia,o Centro é sinônimo de encanto,acolhimento e solidariedade.É também sinônimo de história,de movimento de porto,de congestionamento de veículos,de crianças brincando,de silêncio e de gritos.

O dia começa no Centro com os homens do porto se preparando para a labuta de carregar e descarregar navios.Acomodados nas muradas de concreto,pescadores jogam suas varas enquanto observam a grandiosidade do Penedo.Idosos e crianças aproveitam a tranqüilidade para o passeio matinal nas praças e caminhadas no calçadão à beira-mar.

O horário comercial é tomado pelo movimento incessante de carros e transeuntes,sempre apressados para chegar a diversos destinos.Misturam-se aos gritos de ambulantes e de flanelinhas.

A noite encerra com a boêmia de bares com mesas na calçada e marinheiros à cata de companhia.

Quem reside ou transita no Centro de Vitória não pode deixar de perceber suas centenárias divisões:Cidade Alta,ruas e recantos que preservam histórica qualidade de vida; e cidade baixa,onde impera o movimento comercial.



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